Resenha | Distrito 9


O pseudo-documentário sci-fi é envolvente, mas meticuloso demais. No fim, fica aquele gostinho de quero mais.. Algumas falhas no roteiro e na direção do estreante Neill Blomkamp (que era cotado para dirigir o filme de Halo), no entanto, acabam por deixar o filme pesado e um tanto cansativo em certos momentos.


A crítica política é ótima e o cenário idem. Nada melhor que mostrar uma cisão social do que a África do Sul, palco do famoso apartheid. É lá que tudo começa e tudo parece terminar.



O filme parte do ponto de ebulição de tal conflito. Há 20 anos, uma nave alienígena sobrevoa, parada, o céu de Joannesburgo e os prawns (camarão), apelido pejorativo adotado pelos humanos para chamar os alienígenas, referência à aparência crustácea, vivem entulhados em uma favela sucateada. Como nenhum relacionamento é feito só de bons momentos, as diferenças se tornam insuportáveis quando os aliens começam a deixar suas casas e adentrar o território humano.
Todo filmado e apresentado como documentário, o filme beira o nível de um manual didático. A cada passo do protagonista, ouvimos um comentário em off. A nave se mexe 20 centímetros e lá está, novamente, outro comentário em off, agora de um engenheiro. Para explicar uma repressão humana, lá vem o chefe da MNU (versão fictícia da ONU, que trata dos casos entre as espécies) falando. E todos sabemos que nada em exagero é bom. Fica insuportável a partir do momento que outro nível de comentário aparece. Além das falas do momento factual, onde câmeras acompanham Wikus Van de Merwe (Sharlto Copley), temos os comentários desses especialistas, familiares e outros personagens no futuro, relembrando o que houve.

O roteiro segue a já conhecida fórmula estrutural de viradas clássicas, que não precisa de tal nível de explicações para ser entendida: conhecemos o herói, parte do grupo que é preconceituoso e que de repente se vê no lugar do inimigo, tendo que agir como um deles. Sendo assim, o herói aprende que seus aliados não eram exatamente quem ele pensava. É a política-humanista para iniciantes, nada como fazer alguém provar do desprezo que o próprio preconceito gera para perceberem quão preconceituosas elas são.



O maior acerto do filme fica por conta dos efeitos especiais. O realismo dos movimentos e características dos aliens, armas, naves e robôs é impressionante. Milagre da casa de pós-produção de Peter Jacksson com os alegados 30 milhões de dólares gastos só para provar que seu protegido, Neill Blomkamp, pode fazer. Mesmo assim, os arcos são entediantes e previsíveis. Sogro militar malvado, soldado brutamontes chefão de fase, mártir que dá a meia-volta para salvar o recém-feito amigo, tudo aquilo que estamos cansados de ver.
Nota: 6,5

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