Resenha | Deixe Ela Entrar


"Låt den Rätte Komma In" (Deixe Ela Entrar, em sueco), é um filme de 2007, que entrou em cartaz nos cinemas brasileiros dia 2 de Outubro de 2009 e que deve, em 2010, ganhar refilmagem americana.


O filme ganha mais visibilidade depois do crescente domínio do tema entre os adolescentes, graças à franquias como Crepúsculo e séries de mesmo tipo. Todo filmado na fria Suécia e com atores desconhecidos, fez grande sucesso nos festivais em que foi exibido e isso deverá continuar assim, conforme todos vão se rendendo à esta história.





O filme narra a frustração pré-púbere de Oskar (Kåre Hedebrant), garoto de 12 anos que, logo de início, se mostra perturbado pela perseguição na escola, treinando uma vingança com sua faca, em seu quarto aquecido. Oskar conhece Eli (Lina Leandersson), menina igualmente estranha, também com 12 anos (mas já há mais algum tempo) e os dois ficam amigos. Até aí, e depois mais à frente, a trama segue o clichê vampiresco: casal se conhece, um deles é vampiro, o outro inveja o poder, mas nem chega perto de conhecer o sofrimento da maldição, os dois ficam juntos e vivem felizes. O roteiro é seguido à risca pelo diretor Tomas Alfredson, que utiliza-se de convenções técnicas diferentes e acerta arriscando-se. Um desses riscos é a escolha pela tela em Scope (com proporção 2,35:1), um pouco mais estreito que o normal, o que é a cereja no bolo das paisagens gélidas e brancas de neve do contexto.


A linha paralela entre o vampirismo e a adolescência é mais uma vez bem feita e o filme ganha ares de conto de fadas, sem parecer infantil. Moderadamente caricata, o diretor emprega os personagens e situações com referências em pitadas milimétricamente dosadas. O casaco vermelho parecendo a capa do Drácula, ou o fato do "pai" de Eli tomar apenas leite, além da testemunha do ataque ser um criador de gatos. Também dosadas são as cenas de terror, que incluem um rosto desfigurado e uma combustão instantânea sem dó de serem horríveis. O suspense, no entanto, impera e há, claro, uma necessidade de se ater à portos seguros em relação à previsibilidade. Nada que tire o ânimo de se assistir, como em filmes meia-bocas e ridiculamente fáceis de serem compreendidos.


O roteiro encanta pela sutileza e as atuações das crianças impressiona pela profundidade. O final ainda guarda uma carta na mão daqueles que prestam atenção à certas fugas à convenções que as boas histórias gostam de ter.
Nota: 8

1 comentários:

Mônica Maturino disse...

Gostei do filme e da resenha!

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