Quando surgiu a idéia de se fazer um blog sobre cinema, eu sabia que minha primeira resenha tinha que ser sobre algo bom, grandioso, impactante. Por isso, escolhi meu filme preferido, aquele que considero o mais belo e cativante longa-metragem que já vi.
Mesmo parecendo simples e infantil, este filme consegue aquilo que pouquíssimos chegam a tentar. Não posso dar nada menos que um 10 em todos os quesitos.
Wall-E conquista o público já na cena inicial. Sem trilha sonora, o planeta Terra é mostrado deserto, largado, sujo. Um caminho de trilhos sem dono é seguida até que se vê o pequeno autômato protagonista do filme. O robôzinho nos encanta com a rotina de limpeza do lixo deixado pelos humanos que ali já habitaram.
Com visual e fotografia impecáveis, Wall-E já tem profundidade sem ser chato. Mostra-se preocupado em ensinar sem parecer panfletário, como outros documentários que mais querem nos assustar do que melhorar nossas relações com nossa casa flutuante. A Pixar mostra-se, mais uma vez, a melhor e mais apaixonada produtora-criadora da atualidade. Outros aspectos do filme são igualmente elogiáveis: a câmera dinâmica, marca registrada das animações da empresa da lamparina saltitante, está presente em grande estilo, cortesia de Roger Deakins, diretor de fotografia de filmes como "O assassinato de Jesse James" e "Onde os fracos não têm vez".
O filme em si e o protagonista não são apenas um amontoado de referências culturais (à Star Wars, 2001, ET e Contatos Imediatos de Terceiro Grau). Único morador do planeta, junto com uma pequena barata, que lhe acompanha no trabalho manual de compactar as tranqueiras deixadas em solo e empilhá-las em enormes arranha-céus, Wall-E pode ser comparado à Charlie Chaplin: olhos tristes e engraçados, movimentos desastrados e a típica timidez. Assustado certo dia por uma grande nave que pousa em seu setor, Wall-E se depara com um novo robô, por quem se apaixona e que emplaca a continuidade do filme, EVE, e juntos criam uma das cenas mais emocionantes e artisticamente belas de todo o século, a dança no espaço.
Wall-E mostra um futuro aterrorizador, mas esperançoso e consegue percorrer vários gêneros cinematográficos, indo de comédia a drama, passando pelo cinema romântico dramático sem chegar perto do pastelão ou dos filminhos melados, com estilo. Com uma trama que consegue envolver, depois dos primeiros 40 minutos de desenvolvimento, encontramos as razões e complicações da tripulação terráquea (agora já nem tanto terráquea). Centrado e pensador, o filme é uma obra-prima e em todos os 103 minutos nos mostra isso. Ao final, ainda pode-se aproveitar os créditos, verdadeira aula de história da arte, passando das pinturas rupestres à imagens computadorizadas à lá Atari.
Preenchendo todos os quesitos, a Pixar acerta de lado a lado, minuto a minuto, do começo ao fim. O filme deve ser seguido de palmas e pensamentos filosóficos quanto à nossas atitudes. Obrigado, Pixar.